Um código QR numa campa é um quadrado pequeno, de três a cinco centímetros, colado ou embutido na pedra. Lido com o telemóvel, abre uma página sobre a pessoa que ali está sepultada.
Há duas coisas a decidir antes de encomendar seja o que for: a quem pedir autorização e de que material é feito.
Primeiro o regulamento do cemitério
É o passo que as famílias saltam, e o único que pode custar dinheiro duas vezes.
Em Portugal, os cemitérios são municipais na maioria dos casos, e cada câmara tem o seu regulamento. Uns permitem tudo o que fique fixado à pedra; outros exigem autorização escrita para qualquer alteração à sepultura, e isso inclui algo colado. Os cemitérios paroquiais tendem a ser mais rígidos, e as regras de uma sepultura temporária não são as de um jazigo perpétuo.
Pergunte de forma concreta: se é admitida uma pequena placa adesiva na campa ou na moldura, e se é preciso apresentar alguma coisa por escrito. Se houver um canteiro a tratar da sepultura, quase sempre já sabe a resposta.
Onde o colocar
Três sítios, por ordem de eficácia.
A base ou o soco. Baixo, fora da linha de visão a dois metros e cómodo de alcançar com um telemóvel. É a escolha mais comum, e a melhor.
A moldura. Onde existe rebordo, a face interior fica protegida e deixa a inscrição intacta.
A face posterior da lápide. Útil num cemitério cujo regulamento exige a frente intocada. A desvantagem é evidente: quem não sabe que o código está ali nunca o encontra.
Num jazigo ou num columbário, o sítio costuma ser a placa de fecho. Aí o tamanho conta: quanto mais alto estiver o nicho, maior tem de ser o código para que o telemóvel o leia de baixo.
O que aguenta ao ar livre
A resposta honesta: depende do material, e as diferenças são enormes.
Um autocolante de impressora doméstica não passa um inverno. Um vinil de poliéster laminado com proteção ultravioleta dura vários anos, mas desvanece mais depressa a pleno sol do que à sombra de um cipreste. O que mais castiga no clima português não é o frio, é a alternância entre sol forte e chuva prolongada — e o que sofre primeiro não é a tinta, é a cola.
Por isso a garantia de substituição pesa mais do que qualquer número da ficha técnica. Um suporte que fica ilegível ao fim de três anos e é substituído sem custos vale mais do que outro a que prometem dez anos e cujo fabricante já não responde.
Gravado em vez de colado
Um canteiro pode gravar o código diretamente na pedra ou a laser numa chapa de aço inoxidável. Dura o que a campa durar.
Tem um senão que raramente se diz: um código gravado não se pode mudar. Aponta para um endereço para sempre. Se o fornecedor fechar ou a página mudar de sítio, a gravação não leva a lado nenhum, e a única correção é uma campa nova.
Um autocolante substitui-se. Não é um defeito: é a vantagem.
O que devia estar do outro lado
O código é a decisão fácil. A difícil é a página.
Uma data e uma fotografia não compensam a ida ao cemitério. O que prende as pessoas é aquilo que mais ninguém escreveu: como ela bebia o café, a frase que ele dizia sempre ao despedir-se, as fotografias da caixa de sapatos que ninguém voltará a ver.
Isso não se junta numa tarde, e não precisa. Junta-se quando a ligação circula — e circula melhor agora, enquanto todos ainda têm esta pessoa presente.



