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O que vestir num funeral

Julien

Julien

Fundador do forevr

4 min de leitura

O preto rigoroso deixou de ser obrigatório há muito. Basta algo sóbrio e discreto, e a única regra que conta de facto cabe numa frase: não deve ser quem chega aquilo que se olha. Se na véspera a dúvida continuar, leve o mais discreto que tiver e não pense mais no assunto.

Nenhuma lei regula o que se veste num funeral. São usos, mudaram, e ninguém impedirá a entrada a ninguém.

O que se usa hoje

Cores apagadas: preto, antracite, cinzento-escuro, azul-escuro, castanho-escuro. Um corte que cubra — ombros cobertos, pernas cobertas, sem decotes profundos. E o menor número possível de sinais: sem cores vivas, sem padrões grandes, sem letras impressas, sem joias que apanhem luz.

O que hoje passa sem problema: calças para as mulheres, camisa sem gravata para os homens, uma malha escura em vez de casaco, sapato raso. O que ainda se nota: calças de ganga claras ou rasgadas, ténis evidentes, calções, camisas de alças, boné dentro de casa, e um perfume que se sente a três metros.

O telemóvel em silêncio faz parte da roupa, no fundo.

Não há nada escuro e não há tempo de comprar

É o caso mais frequente, e não se resolve com uma compra.

Leve o mais neutro que tiver: as calças mais escuras, a peça mais lisa, o casaco menos chamativo. Um cinzento médio, um azul apagado, um bege mate cumprem perfeitamente. Ninguém vai reparar — e quem pudesse reparar tem naquele dia outra coisa na cabeça.

A pior decisão seria não ir porque falta o casaco certo. O que fica à família é que alguém esteve; as calças não.

Se a família pediu algo

A vontade da família vem antes de tudo, sempre. Uma cor, porque era a dele; o pedido de não ir de preto; um detalhe preciso — um lenço, uma camisola do clube, uma flor: segue-se, sem discutir e sem meios-termos.

«Por favor, sem preto» significa sem preto, inclusive para quem isso incomoda. E se o pedido chegar por terceiros e parecer estranho, pergunte diretamente a alguém da família em vez de inventar um meio-caminho: uma igreja em que metade seguiu o pedido e a outra metade não é exatamente o que se queria evitar.

O velório, a missa e o cemitério não pedem o mesmo

Aqui o percurso tem normalmente três momentos, muito diferentes entre si.

O velório é a parte mais longa e mais informal: horas de pé, gente que entra e sai, conversas no corredor. Muita gente chega diretamente do trabalho e ninguém a julga. É também o momento em que a roupa conta menos.

A missa ou a cerimónia civil é o momento mais formal, e o mais curto.

O cemitério decide os sapatos. Saibro, erva molhada, subidas: salto fino é má ideia, e nota-se mais do que uma cor aproximada. Se for um jazigo ou um gavetão, fica-se de pé ao sol ou ao vento vinte ou trinta minutos.

Com calor, tecidos leves são melhores do que um casaco que se vai tirar de qualquer maneira. Manga curta escura é mais apropriada do que uma manga comprida debaixo da qual se sofre; não há nada de impróprio nisso. Com chuva ou frio, um casaco a sério e um guarda-chuva escuro em vez de um colorido.

Credos e cerimónias civis

São gestos concretos, não normas que se tenham de saber de cor. Na sinagoga os homens cobrem a cabeça; à entrada há kipás. Na mesquita descalçam-se os sapatos e as mulheres cobrem o cabelo, muitas vezes com um lenço emprestado no local. Na igreja os homens descobrem-se. Em todos os casos: chegue cinco minutos antes e veja o que faz quem vai à frente — é mais fiável do que qualquer lista.

Numa cerimónia civil os usos são ainda mais livres, e é aí que as famílias pedem uma cor com mais frequência. O que nos devolve ao ponto anterior: segue-se o pedido.

As crianças

Não se veste uma criança como um pequeno enlutado. Roupa limpa e simples com que possa ficar sentada uma hora é suficiente — não precisa de um conjunto comprado para a ocasião nem de um fato que aperte.

Evite apenas as cores muito vivas e os bonecos impressos. E leve algo para vestir por cima: num cemitério as crianças sentem frio antes de todos.

O que há a preparar com a criança não é a roupa, mas o que vai ver. Disso trata explicar a morte a uma criança.

O que pesa mais do que a roupa

Resolvida a questão, deixa de merecer energia. O que fica à família são as palavras que se encontraram — e aí o medo de errar está melhor investido.

Sobre isso: o que dizer a quem está de luto, falar no funeral de um amigo, e se tocar a quem lê falar, escrever um discurso de funeral. O guia principal reúne tudo.

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